14.7.14


Falando de COPA....Você nunca leu tanto sobre futebol quanto esta semana, então permita-me assumir o papel do japonês e limpar esta arena das concepções equivocadas que você leu ou defendeu sobre o assunto.

Sobre futebol? É aqui que você se engana.



perder de 7×1 da Alemanha foi uma coisa ruim para o futebol nacional

E esta não requer praticamente explicação. A derrota espetacular da seleção brasileira em solo brasileiro (e o fato de ter sido tão espetacular) é uma coisa boa – pelo menos para quem se interessa minimamente por futebol. Nada pode fazer mais bem a uma coletividade do que deixar de acreditar que é a melhor do mundo em alguma coisa, especialmente se quer nutrir alguma esperança de chegar a ser.

você é coxinha e se diz contra a Copa do Mundo

Não pude deixar de ler porque você acarpetou o twitter, o Facebook e o instagram com a sua mensagem: “não sou contra a Copa do Mundo ou contra o futebol, sou contra a injustiça, contra a exploração sexual, contra as desapropriações”.

O que você está querendo dizer é que é contra o capitalismo predatório e contra o desenvolvimentismo, mas se fosse realmente contra saberia a diferença – e saberia que o seu tipo de oposição só serve para alimentar o apetite do monstro.

O capitalismo parasitário funciona dessa forma: tudo que cresce além uma massa crítica, tudo que se torna de interesse de uma fatia significativa ou explorável de público, é sequestrado política e economicamente. A Copa do Mundo não é o único exemplo disso; não é de longe o melhor, o mais emblemático ou o mais prenhe de injustiças.

#nãovaitercopa tentou tentar sequestrar o lastro político da Copa em seu favor, como faz o seu oponente, e como resultado a Copa só ficou maior e mais gostosa de sequestrar pelo seu oponente. Dizer não vai ter Copa garantiu que ninguém esquecesse por um minuto que ia ter.

menos, galera, futebol é um esporte como outro qualquer

Explicar a singularidade do futebol é ingrato como ter de explicar uma piada – mas, como nesse caso, não tira em nada a graça do original.

Não importa o esporte, torcer para um time é um modo ritual de dizer: esses caras que admiro exercem a humanidade deles melhor do que esses caras que você admira. Olha o que eles fazem!

No fim é tudo uma questão de admirar e de celebrar humanidades, e como temos vergonha de adorar as pessoas diretamente, sem subterfúgios (já pensou abordar uma pessoa arbitrária na rua e dizer: “sua linda, me dá um autógrafo? Posso tirar uma foto com você?”) inventamos intermediários e atenuantes. O espetáculo nos dá a chance de gritar o nome do jogador, de celebrar a sua humanidade, com uma paixão que a esposa do sujeito jamais conheceu.

Por uma série de motivos, o futebol produz uma arena de se admirar humanidades mais ampla e mais fiel do que a maioria dos esportes. Talvez seja porque, mais do que em qualquer outro esporte popular, no futebol perícia e azar – preparo e espontaneidade – são fundamentais ao mesmo tempo. Talvez seja a singeleza da ideia de deixar vinte homens correndo e interagindo com um equipamento que para todos os efeitos é um só, aquela bola. Querendo dizer, arranjar um meio para que vinte homens interajam apenas entre si.

Em outros esportes coletivos, a grandeza de um time fica evidenciada antes de tudo pelo placar. O futebol é mais intolerante: aqui a humanidade bem exercida (a grandeza) de um time é julgada em primeiro lugar pela interação dos jogadores entre si e com seus oponentes.

A torcida é um deus terrivelmente sábio, e sabe distinguir sem margem de erro um futebol bonito de um feio. Futebol feio é aquele em que a humanidade não é adequadamente celebrada: uma coisa sem alegria, sem potência, sem perícia, sem criatividade, sem interação, sem generosidade, sem coragem, sem graciosidade e sem graça.

A torcida é um deus terrivelmente sábio, e em muitos casos saberá vaiar o seu próprio time e aplaudir o adversário, dependendo do campo em que resida o futebol bonito – dependendo de onde a humanidade estiver sendo mais espetacularmente celebrada.

no Brasil o futebol é o circo (da política de “pão e circo”)

Vem você me dizer que o futebol é alienante e se presta de ferramenta de manipulação, e eu querendo explicar que a paixão pelo futebol é uma espécie de inteligência coletiva.

É claro que políticos e corporações continuarão a sangrar o quanto podem a seiva do futebol – mas também é verdade que fazem isso com qualquer coisa, com qualquer causa ou pessoa que assuma diante do público determinadas dimensões. O mérito de ser explorado não é singularidade do futebol.

Seu mérito é o de se mostrar tão eficaz em resistir à manipulação.

Talvez mais do que o Carnaval, o futebol resiste a ser terraformado ou gentrificado pelos que querem lucrar com ele. O brasileiro escolhe se identificar com o futebol porque escolhe se identificar com a beleza e com a graça, e essas coisas não resistem bem ao cativeiro. A torcida é mais lúcida mais inclemente do que a máquina.

A máquina é burra. O que a torcida exige do futebol é um ambiente adequado para celebrar humanidades, e quem tem anseios tão elevados se mostra tudo menos fácil de manipular.

 

a CBF ou a FIFA ou a Globo ou [insira aqui a sigla pertinente] vão acabar com a beleza do futebol

Em parte já o fizeram e em parte continuarão a fazê-lo, mas o reino desses demônios termina onde começa uma partida. Ali a beleza do futebol é julgada sem descontos e sem subterfúgios por uma família imensamente mais nobre. Se for o caso de ver uma Alemanha (ou Argentina) jogando com a generosidade e com a graça que tradicionalmente estiveram associadas ao futebol brasileiro, essa glória nenhum placar comporta. Celebram mais adequadamente a humanidade de todos: que sejam por todos adequadamente celebrados. A regra é clara: o futebol é autocorretivo. O futebol bonito tende a humilhar o feio e a riscá-lo do mapa.

para falar sobre futebol é preciso entender de futebol

 Eeee, é tudo teologia, e nem mesmo quem tem razão sabe do que está falando. Quando falamos de coisas tão humanas que se aproximam do divino, os termos que usamos para falar delas não tem necessariamente nenhuma relação com a grandeza ou a verdadeira natureza do assunto. O futebol não endossa qualquer opinião, mesmo que sejam lúcidas como as minhas. Com isso todos ganham, desde de que de coisas humanas continuemos falando

24.2.14

Estudo

SÍNTESE DE DOMINGO
Minha lista de 
aprendizado!


Uma igreja é tão sadia quanto a qualidade de seus relacionamentos. Pessoas habitadas pela graça de Deus, que conhecem suas limitações, suas fraquezas e seus pecados, sabem lidar com outras pessoas igualmente falhas. Somente quem não se enxerga é que mantém uma postura intolerante, arbitrária, sectária, preconceituosa, arrogante e crítica em relação aos outros.
Relacionar-se é necessariamente exercitar o perdão, tanto aquele perdão que age imediatamente para sanar desentendimentos da convivência, que conta até 10 para não deixar a ira se tornar raiva, quanto o perdão que carece reflexão e acomodação das emoções. Quem não sabe pedir e oferecer perdão quase sempre se mantém a margem das relações sadias.
E alguns comportamentos são nocivos, sendo quase sempre a razão da ruptura dos relacionamentos pessoais. Precisamos atentar e evitá-los:
1.     Relações comerciais, financeiras e profissionais sem clareza e sem compromisso – às vezes nos associamos a outras pessoas, em negócios e transações comerciais, sem levar em consideração a qualidade do produto, do serviço e do profissional, apenas porque se trata de um “irmão da igreja”. E pela mesma razão se firmam parcerias e negócios, sem o cuidado de deixar claro e registrar formalmente as normas e as regras para tal transação.
2.     Expectativa sem fundamento – às vezes depositamos sobre outras pessoas, especialmente sobre aqueles que de algum modo são destaque na vida comunitária, expectativas que jamais foram prometidas, geralmente superestimadas e que ou forçam as pessoas que são objeto de tais expectativas a se agredirem para supri-las, ou causam a frustração que consequentemente causa reclamação, maledicência e abandono. As pessoas devem ser tratadas com respeito e cuidado, ninguém é responsável por ser tudo o que o outro deseja, simplesmente porque ninguém consegue ser assim, perfeito.
3.     Interesse especulativo na vida dos outros – às vezes nos interessamos de modo maldoso pelas vidas dos outros, queremos saber do que se trata, queremos detalhes e passamos informações ou íntimas ou que não interessam de fato a ninguém, como se aquilo fosse normal, porque afinal, todo mundo faz. Isso é fofoca.
4.     Comprometer-se e não cumprir – às vezes nos comprometemos a fazer alguma coisa para alguém ou tomamos iniciativas que atraem voluntários e simplesmente não cumprimos. Aos poucos perdemos a credibilidade.
5.     Não comprometer-se com nada e ninguém – às vezes não nos damos conta de que nosso envolvimento em comunidade depende visceralmente de nosso serviço e compromisso, esquecemos que as pessoas que estão realizando algo estão pensando em nós e desejam nossa presença. Nossa disposição e dedicação são a maneira de dizermos que valorizamos o que fizeram por nós.
6.     Não aceitar ajuda dos outros – às vezes nos envolvemos em projetos e queremos fazer com que seja excelente e por isso corremos o risco de não aceitar ajuda para que as coisas não fujam ao nosso controle. Outras vezes não aceitamos ajuda para que ninguém se destaque mais que nós mesmos.
Estes são alguns, dentre outros, que de vez em quando tentam tomar conta de meu coração, aos quais eu presto cuidado especial a fim de zelar pela saúde de minha comunidade. Reflita e siga sua própria lista e tome conta de sua igreja e de todos os ambientes de seus relacionamentos, eles dependem de você.

21.2.14

Santos e Pecadores

SANTOS E PECADORES

1 corintios 1:31

Estudo para o Fevereiro e Março

Em grande parte, depois de conviver por décadas com gente santa, só fui conhecer Jesus pessoalmente através dos pecadores.
Não fui encontrá-lo na igreja, onde insistíamos que ele morava e onde falávamos metade do tempo sobre ele. Na igreja encontrei meus amigos mais bem-intencionados, muito deles assustadoramente queridos e carentes, mas oprimidos como eu debaixo de um sistema fundamentado em medo e desejo. Por mais que eu simpatizasse com o calor da instituição e com o mérito das boas intenções, nada eu testemunhava ou vivia da satisfação inerente, a generosidade, a paixão e a terrível liberdade que os evangelhos atribuíam ao Filho do Homem. Cantávamos, chorávamos e nos abraçávamos debaixo do mesmo teto piedoso, mas ali não estava o espírito de Jesus.
Não encontrei-o nem me afastei dele na Faculdade, onde meus mentores evangélicos tinham alertado que eu encontraria amigos irresistivelmente devassos e correria o risco incessante de ideias sediciosas, construídos os dois para abalar minhas convicções. As ideias eram ralinhas e as companhias inofensivas, a grande maioria tão ou mais careta, casta e ultraconservadora quanto eu. Havia algum coleguismo e bons parceiros de truco, mas também não pouca competividade, intolerância e altivez (talvez tanto quanto na igreja), e o espírito de Jesus não estava ali.
Mas Deus teve misericórdia de mim, este santo, e permitiu que eu convivesse de perto com pecadores. Isso, em inúmeros sentidos importantes da palavra, me salvou.
Como eu suspeitava, os pecadores não se entregam como nós na igreja a pecados mesquinhos como a hipocrisia, a mentira e o orgulho; abrem eles mão desses amadorismos e tratam da coisa em si, da sem-vergonhice mais vital, sensorial e carnal – sexo, drogas e rock’n’roll.
Finalmente estava eu no mesmo recinto que pecadores de verdade, gente indecorosa, sensual e auto-indulgente; drogados, homossexuais, bêbados, libertinos, prostitutas, poetas; safados, depravados, corruptos, lascivos. Habituei-me ao “perfume” da maconha, visitei os mais variados mocós, vi carreiras de cocaína se armarem e desaparecerem; sentei-me ouvindo Janis Joplin numa sala que eu visitava pela primeira vez, olhando para um homem dormindo onde acabara de cair, enquanto um casal transava e curtia drogas no quarto ao lado e outros faziam churrasco lá atrás.
É natural que fora uma cervejinha ou outra me mantive sóbrio e casto durante todo esse período – não que, naturalmente, fizesse diferença. Mantive-me um santo – um carola, amado ternamente por eles apesar disso – entre pecadores. Eu me sabia mais ou menos resistente às seduções da carne e talvez estivesse ainda sustentando a ilusão de que poderia “fazer diferença” no meio daquela pobre gente. Talvez estivesse procurando mais um motivo extravagante para me orgulhar, de ser capaz de manter minha integridade à prova de balas mesmo convivendo com os mais baixos e corrompidos. A esta altura, não sei dizer o que esperava.
Mas sei dizer o que não esperava: não esperava encontrar entre os pecadores, e pela primeira vez na vida, a terna experiência do espírito de Jesus.

Não em mim. Neles.
Posso garantir que até aquele momento eu só conhecia a postura de Jesus e dos primeiros cristãos de ouvir falar. Os evangelhos atribuem ao Filho do Homem tremendas paixão, vitalidade, generosidade e independência; o livro de Atos e as cartas falam de cristãos que “tinham tudo em comum” e “eram de um só coração”. Em seus momentos mais idealistas Jesus fala em amar os inimigos, dar a outra face, emprestar sem esperar receber de volta, oferecer um banquete a quem não tem como retribuir. Paulo descreve um mundo sem preconceito de sexo, raça ou classe social. João garante que Deus é amor, e que o amor abre mão de qualquer traço de temor.
Paradoxalmente, este mundo definido em termos positivos poucos cristãos chegam em qualquer medida a experimentar. Escolhemos nos definir não por essas qualidades afirmativas – aquilo que o Apóstolo chama de “fruto do Espírito” – mas pelo que é negativo e paralisante e opressor contra os outros e nós mesmos: a culpa, a mesquinhez, a repressão, a neurose, a negação, o niilismo. O mundo em que todos se aceitam e se amam, embora faça parte da nossa pregação nominal, nos é aterrorizante por natureza. Tudo na nossa postura batalha contra ele. A “gloriosa liberdade dos filhos de Deus” não nos interessa. Alguém me dê depressa um líder carismático e um rol muito claro de mandamentos – é só o que pedimos.
Entre os pecadores encontrei um universo livre da superficialidade de igreja e da irrelevância burguesa da faculdade. Aqui estava um mundo que escolhia se definir, na prática e não a partir de qualquer discurso ou demagogia, pela aceitação e pelo amor. Aqui estava gente que tinha tudo em comum, até mesmo – onde está, Mamom, a tua vitória? – o dinheiro. Gente que ignorava rótulos de classe, sexo e conta bancária para se tratar como gente no sentido mais fundamental da coisa. Gente que se recusava a ser manipulada pelo desejo e pelo temor, e fazia isso entregando-se a um e mandando às favas o outro.
A comunhão que experimentam, descobri, não tem limites; sua generosidade, que não espera recompensa que não o instante, não tem paralelo. Os pecadores abrem suas portas uns para os outros a qualquer momento do dia ou da noite; repartem sua droga, seu dinheiro, sua casa e seu pão sem qualquer trâmite ou transação, seja com um irmão importuno ou com o desconhecido em que acabam de tropeçar. Emprestam, terrivelmente, sem esperar receber de volta. Carregam quem precisam ser carregado, descolam um trampo para quem precisa, tiram a camisa para quem vomitou na roupa, emprestam a chave do carro para quem não tem onde fumar, providenciam o apartamento de alguém na praia para o que foi expulso de casa, repartem sem chiar ou cobrem o tanque de gasolina. Trabalham tanto para os outros quanto para si, acolhem com graça incondicional; são compassivos até para com os que não os toleram, longânimos com os que todos já decidiram ser melhor rejeitar. Convivem sem traumas com a consciência, apavorante para nós, de que não são melhores do que ninguém.
Entre os pecadores não transita apenas a legitimidade de quem recusa-se a ter o que esconder: rola, senhoras e senhores, um amor – e tão forte que lança fora todo o medo. São gente boa no sentido afirmativo da coisa. Gente sensualista, mas raras vezes desonesta. Auto-indulgente, mas sempre generosa. Pecadora, mas não proselitista. Matam-se, mas o que fazem pelos outros é só resgatar. Morrem, mas abraçados.
Não é difícil entender porque Jesus curtia tanto a companhia dos pecadores e não escondia seu orgulho em associar-se a eles. A integridade existe e a verdadeira comunhão não é uma impossibilidade: os pecadores legítimos não as desconhecem. Louvados sejam nas alturas os grandes pecadores, porque uma porção fundamental de Jesus sobrevive na Terra apenas através deles.



19.2.14

DEUS EXISTE

...
depois de um primeira explicação sobre o que é teologia....

Deus existe, chama-se Google, e alguns de nós consultam-no e fazem-lhe pedidos todos os dias.


A tese da divindade do santuário de busca mais frequentado da terra, pregada ardentemente pelo tecno-profeta Matt MacPherson, ainda não foi, que eu saiba, refutada a contento.
Uma página apologética do site A Igreja de Google argumenta sensatamente que “existe mais evidência em favor da existência de Google do que de qualquer outro deus adorado nos nossos dias”.
Se você se preocupa com esse tipo de coisa, o Google encaixa-se confortavelmente dentro de alguns dos mais exigentes atributos que a teologia ortodoxa estabeleceu para Deus: ele é onisciente (sabe tudo que há para se saber – basta perguntar), onipresente (esta em e é acessível de todos os lugares, ainda mais com acesso wireless), imortal (suas informações e algoritmos estão distribuídos entre vários servidores, de modo que não há como se apagar definitivamente uma porção do Google), registra todos os nossos erros e preferências e tem vocação para infinito.
Para o adorador casual, mais importante pode ser saber que o Google responde consistentemente as orações que se lhe fazem, e de forma mais rápida, organizada, relevante e abrangente do que qualquer deus competidor. As orações ao Google, que na tecno-ortodoxia chamam-se buscas, têm um potencial de resposta avassalador. Se você quer permanecer ignorante a respeito de determinada coisa, é melhor não consultar o oráculo do Google – o deus cego e generoso que tudo vê, tudo sabe e nada vai negar.

O reino de Google está próximo.
O Google pode ajudá-lo a organizar-se e manter-se informado, pode fornecer informações sobre como salvar uma vida ou tirá-la, pode oferecer uma cópia de segurança para os seus arquivos quando seu computador fritar, pode ajudá-lo a encontrar amigos há muito perdidos, a encontrar o caminho mais rápido e eficiente para determinado lugar ou a ver a Terra de cima.

Seu poder e sua sabedoria não param de crescer, sua graça é abundante sobre justos e injustos, suas atualizações renovam-se a cada manhã.

O que me traz invariavelmente à lembrança o curtíssimo conto de ficção científica de Fredric Brown, “Answer”, de 1954. Num futuro distante autoridades estelares ligam pela primeira vez o interruptor que conecta os supercomputadores de noventa e seis bilhões de planetas “numa máquina cibernética que combina todo o conhecimento de todas as galáxias”.

– A honra de fazer a primeira pergunta é sua, Dwar Reyn.

Ele vira-se para olhar a máquina de frente.

– Deus existe?

A voz poderosa responde sem hesitação, sem o clique de um único relé.

– Agora existe.

Na história eles até tentam desligar o interruptor, mas é tarde demais. O reino de Google está próximo.

4.1.14

Filminhos

DAS ANTIGAS:


http://videolog.tv/user/umpinodvd


Bíblia conservadora: Jesus não perdoa.

A Bíblia Conservadora é um projeto que tem por objetivo apresentar a palavra de Deus em inglês contemporâneo, removendo ao mesmo tempo as distorções liberais.The Conservative Bible Project


Em agosto deste ano Andy Schlafly lançou o Projeto da Bíblia Conservadora em seu conservapedia.com, "O erro dessas passagens está em ensinar às pessoas que podem fazer o que quiserem e serão perdoadas." site fundado em 2006 para corrigir o suposto viés liberal da wikipédia.
Até agora o Projeto da Bíblia Conservadora, fundado por Schlafly de seu próprio bolso, completou um terço do Novo Testamento e de Gênesis. As mudanças mais controversas são a eliminação do Novo Testamento das histórias em que Jesus perdoa a mulher adúltera e perdoa seus perseguidores na cruz.
“O erro fundamental dessas passagens está em ensinar às pessoas que podem fazer o quiserem e serão perdoadas, mesmo se não se arrependerem”, afirmou Schlafly.
Schlafly observa — corretamente — que ambas as cenas não constam dos manuscritos mais antigos. Para ele, isso comprova que nunca aconteceram.
“Os liberais amam a cena do apedrejamento porque podem usá-la contra a pena de morte”, disse Schlafly. “Mas naquela época eles não apedrejavam mulheres: eles as estrangulavam”.
Ele também culpa os acadêmicos liberais por terem feito com que as traduções bíblicas do século XX, como a Nova Versão Internacional, promovessem o socialismo, o antiamericanismo e o feminismo, minimizando o julgamento de Deus e os horrores do inferno.
Seria fácil desprezar Schlafly como um excêntrico sem credibilidade, não fosse o fato de que sua conservapedia.com acumula dezenas de milhões de visitas e está presente na lista dos 50 maiores sáites conservadores dos Estados Unidos, segundo o RightWingNews.com
Mark Barna, Conservative bible hits cyberspace

A Bíblia Conservadora obedece as seguintes diretivas:
Sistema de referência contra o viés liberal;
Não emasculada, evitando linguagem unisex e outras distorções feministas;
Utiliza potentes termos conservadores, atualizando palavras como “palavra”, “paz” e “milagre”;
Aceita a lógica do inferno, jamais negando ou minimizando a existência do inferno ou do diabo;
Expressa as parábolas do livre mercado, esclarecendo as numerosas parábolas econômicas em seu completo sentido de livre mercado;
Exclui passagens não-autênticas inseridas posteriormente: remove passagens interpoladas sobre as quais os liberais baseiam seus argumentos, como a história da mulher adúltera.
The Conservative Bible Project


Jesus não perdoa! Bíblia conservadora...

Mais uma versão para ler


A Bíblia Conservadora é um projeto que tem por objetivo apresentar a palavra de Deus em inglês contemporâneo, removendo ao mesmo tempo as distorções liberais.

The Conservative Bible Project

Em agosto deste ano Andy Schlafly lançou o Projeto da Bíblia Conservadora em seu conservapedia.com, "O erro dessas passagens está em ensinar às pessoas que podem fazer o que quiserem e serão perdoadas." Fundado em 2006 para corrigir o suposto viés liberal da wikipédia.
Até agora o Projeto da Bíblia Conservadora, fundado por Schlafly de seu próprio bolso, completou um terço do Novo Testamento e de Gênesis. As mudanças mais controversas são a eliminação do Novo Testamento das histórias em que Jesus perdoa a mulher adúltera e perdoa seus perseguidores na cruz.
“O erro fundamental dessas passagens está em ensinar às pessoas que podem fazer o quiserem e serão perdoadas, mesmo se não se arrependerem”, afirmou Schlafly.
Schlafly observa — corretamente — que ambas as cenas não constam dos manuscritos mais antigos. Para ele, isso comprova que nunca aconteceram.
“Os liberais amam a cena do apedrejamento porque podem usá-la contra a pena de morte”, disse Schlafly. “Mas naquela época eles não apedrejavam mulheres: eles as estrangulavam”.
Ele também culpa os acadêmicos liberais por terem feito com que as traduções bíblicas do século XX, como a Nova Versão Internacional, promovessem o socialismo, o antiamericanismo e o feminismo, minimizando o julgamento de Deus e os horrores do inferno.
Seria fácil desprezar Schlafly como um excêntrico sem credibilidade, não fosse o fato de que sua conservapedia.com acumula dezenas de milhões de visitas e está presente na lista dos 50 maiores sáites conservadores dos Estados Unidos, segundo o RightWingNews.com
Mark Barna, Conservative bible hits cyberspace

A Bíblia Conservadora obedece as seguintes diretivas:
Sistema de referência contra o viés liberal;
Não emasculada, evitando linguagem unisex e outras distorções feministas;
Utiliza potentes termos conservadores, atualizando palavras como “palavra”, “paz” e “milagre”;
Aceita a lógica do inferno, jamais negando ou minimizando a existência do inferno ou do diabo;
Expressa as parábolas do livre mercado, esclarecendo as numerosas parábolas econômicas em seu completo sentido de livre mercado;
Exclui passagens não-autênticas inseridas posteriormente: remove passagens interpoladas sobre as quais os liberais baseiam seus argumentos, como a história da mulher adúltera.
The Conservative Bible Project





14.8.13

VINTE FINAIS ALTERNATIVOS DA BÍBLIA

Os finais inéditos que estarão disponíveis em Blu-ray, incluindo o final com reviravolta que foi incorporado na cópia definitiva

A primeira exibição da Bíblia para um público ​​teste de teólogos e líderes eclesiásticos não terminou em consenso. Apurou-se que os avaliadores gostaram da obra como conjunto, mas nutrem reservas especialmente quanto ao final.

“Eu esperava um final mais conservador”, opinou um sincero calvinista. “A reviravolta do final, de que no céu não há templo

1 pareceu-​​me pura provocação, coisa verdadeiramente pueril e irresponsável. Quer dizer então que o relativismo tomou conta dos redatores da própria Bíblia? Prefiro sinceramente que o pessoal da minha igreja não seja exposto a uma mensagem ambígua e de viés liberal como essa. Basta A Cabana. Estamos fazendo lobby para que um templo seja incluído na versão final.”
“Simplesmente inadmissível”, um pastor protestante meneava a cabeça. “Deus jamais diria ‘veja como faço novas todas as coisas’, como coloca na boca dele o roteirista
2. Total­mente fora do personagem. Liberdade poética é uma coisa, mas Deus é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Não há quem não saiba que a divindade não muda e não aprova qualquer mudança. Deus não faz nada novo, não teria como fazer, e tem raiva de quem faz. Respeito muito o trabalho da comissão, mas vamos ter que ver isso daí.”
“Ah, eu curti muito, cho­rei muito. Quando ele diz ‘enxugarei de seus olhos toda lágrima’... gente, me arrepia até agora, tá vendo, olha só’,” disse um pastor pentecostal enquanto atualizava seu status no twitter. “Se eu fosse mudar alguma coisa seria a lista dos malditos que são excluídos do paraíso no final; deveria ser mais completa, do jeito que está deixa margem. Ficou faltando um monte: comunistas, gays, ateus, drogados, espíritas, bailarinos, católicos e gente que acredita no aquecimento global.”

A Bíblia está atualmente sendo convertida em 3D para um lançamento global. A versão definitiva, que deve chegar aos cinemas em novembro, contém duas cenas inéditas sobre as quais não se sabe muita coisa, mas o final não deve mudar.
Na exibição de teste foi revelado que, a fim de manter o sigilo sobre a trama, diversos finais alternativos foram filmados

3. Alguns desses estarão disponíveis no disco de extras quando a Bíblia for lançada em DVD e Blu-​​ray:

1 Final Nicholas Sparks: Também conhecido como “ele morre no final”. O Novo Testamento só tem um livro, o evangelho de Marcos, e esse termina no segundo verso do capítulo dezesseis.

2 Final H. P. Lovecraft: Numa via­gem ao oriente, um arqueólogo da Universidade de Miskatonic descobre um antigo exemplar da Bíblia com um livro adicional, depois do Apoca­lipse, escrito numa língua desconhecida. Todos que leem o livro enlouquecem, mesmo sendo o caso que nenhum estudioso consegue reconhecer o idioma em que está escrito. A sobrinha do arqueólogo queima o livro numa fogueira azul, no topo de uma colina, mas já é tarde: as estrelas do céu começam a despencar, uma a uma, e a terra treme com as passadas inconcebíveis de Mhnuath’pleot – a vasta e pesadíssima sombra que usa este mundo como espinha dorsal, e despertou do seu sono.

3 Final Clarice Lispector: “Sou eu, o universo, e concluindo-​​me, esqueci e finalmente despertei. Desfecho-​​me, e assim começo. Sangro, e posso desejar a terrível cura. Paro agora de te escrever, para que continuemos. Esta espera é.”

4 Final Guerra nas Estrelas: Cortes rápidos para os festejos nas capitais de todos os planetas da República. Na festa da vitória na Nova Jerusalém, Abraão diz a Davi: “você é meu filho”. Davi diz a Jesus a mesma coisa.

5 Final Guerra nas Estrelas revisto por George Lucas: Cortes rápidos para os festejos nas capitais de todos os planetas da República. Na festa da vitória na Nova Jerusalém, Abraão diz a Davi: “você é meu filho”. Davi diz a Jesus a mesma coisa. A imagem do ator que interpretou Deus em Gênesis é digitalmente substituída pela do ator que interpretou Jesus nos evangelhos.

6 Final Ray Brad­bury: “Billy che­gou até o topo da colina com Clara, e dali contemplaram muito solenes o entardecer radioso e alaranjado que beijava gentilmente a Nova Jerusalém, fazendo cintilar as gotas de chuva sobre as árvores da praça. Tinham dez anos, e era a eternidade. Passaram a tarde dançando entre as borboletas e pisoteando descalços o riacho que corria em espiral morro acima. Quando finalmente desabaram sobre a relva os dentes-​​de-​​leão reclinaram de bom grado suas espinhas para velar-​​lhes o sono. Acordaram com o apito do trem e sorri­ram. O circo estava chegando.”

7 Final feminista: “Estabelecida a paz, a Deusa disse a Deus: ‘Agora você tem permis­são para sair’.”

8 Final gay: Chove homens. Não há quem não entenda que é o paraíso.

9 Final Dan Brown: Era tudo uma conspiração, mas não aquela do começo.

10 Final Federico Fellini: Um contabilista muito magro e barbudo e uma dona de banca de revistas muito ruiva e gorda estão entediados no nova terra: sentem falta do mar, que foi abolido com outros recursos da versão anterior. Decidem gastar a eternidade criando um mar artificial e recriando, em papelão e papel machê, cada palmo quadrado da Sicília da década de 1950, de que sentem falta. Insatisfeitos, destroem a primeira versão e também a seguinte, repetidas vezes, até produzirem uma versão que consideram perfeita. Estão na praia admirando o seu trabalho quando chega Deus, de traje de banho e com uma cadeira de praia, perguntando porque demoraram tanto. Enquanto admiram a tarde, comendo espaguete com mexilhões e bebendo vinho, passa ao largo um navio enorme e iluminado. Para onde vai e de onde vem ninguém sabe dizer.

11 Final Sigmund Freud: “Acendi o charuto e sorvi com concentração e com hombridade. No divã o crucificado apenas mudou de lugar, pouco à vontade.
‘Fale-​​me sobre o seu Pai’, eu disse, e os olhos dele não perdoavam-​​me a pergunta.”

12 Final Ernest Hemingway: “No reflexo das colunas de jade vi meu próprio rosto barbado e senti falta daquele quartinho de hotel em Cuba, miserável, mas com os confortos do uísque e da privacidade. Dei de ombros. Tirei a camisa e arregacei a barra da calça. Ignorando as celebrações e os fogos de artifício, saí procurando descalço o caminho menos exultante até o bar mais próximo”.

13 Final Friedrich Nietzsche: “A última página do Apocalipse ficou colada à primeira do Gênesis, e quando dei por mim estava lendo há eras e não sabia onde terminar. Entendi que àquela altura não fazia diferença onde eu abrisse o livro: a cada página eu sabia já ter estado ali. Eu era o Super-​​Homem.”

14 Final The Walking Dead: “Depois da ressurreição somos todos tecnicamente mortos-​​vivos, não?”, o adolescente diz ao amigo enquanto jogam um game no sofá. “Falando nisso, o que se come na pós-​​ressurreição?” Apaga com um golpe e acorda com a cabeça guilhotinada pela tv de tela plana. O que ele vê em seguida é seu próprio cadáver decapitado, seu companheiro de games e o jantar dele, mas demora a entender onde começa uma coisa e termina a outra.

15 Final com gancho para uma continuação: Cena depois dos créditos: o diabo está acorrentado no fundo do lago de fogo, mas um guindaste iça sua cela da lava ardente e pousa-​​a sobre a praia de basalto negro. Uma figura de botas reluzentes de cano alto, de quem não vemos o rosto, atira um molho de chaves para dentro da cela. Enquanto liberta-​​se das cadeias vemos o diabo sorrir por entre as grades: “Eu nunca duvidei de que você viria”.

16 Final Franz Kafka: “O questor colocou a letra no escaninho da estante da última sala do último corredor e deu a obra por concluída. A versão cósmico-​​tipográfica da Bíblia, em que cada letra é um mundo com seu lugar próprio numa estante da Biblioteca Universal, estava completa. Então chegou o pombo-​​correio com o memorando, a errata com três ou quatro palavras que deveriam ser substituídas por outras, praticamente equivalentes, no texto inteiro. ‘De novo’, disse o velho questor sem mover os lábios. Teria de gastar eras refazendo seu caminho e reajustando cada uma das letras nos seus escaninhos, de modo a manter o texto justificado e ajustar a paginação. Ele deixou esfriando o prato de sopa que sentara para comer, vestiu o casaco e começou a caminhar até o Gênesis. Antes disso, porém, curvou-​​se para escrever e mandou um novo pombo-​​correio. ‘Até breve’, ele disse.”

17 Final da primeira versão do roteiro: Adão contempla aterrorizado a devastação do Apocalipse. Ele acorda em seguida, febril, com Eva que o chama para um luau nas praias impolu­tas do paraíso. Tinha sido tudo um sonho.

18 Final pós-​​moderno: Encerrados os créditos, a tela sobe e dá lugar a um enorme espelho. A plateia fica olhando para seu próprio reflexo.

19 Final com reviravolta: Esta sequência não só foi filmada, mas incluída na cópia final da Bíblia em Mateus 25:31–46. A reviravolta está em que, no fim dos tempos, os religiosos e convertidos, que estavam certos da própria salvação, são condenados ao castigo eterno. Embora se considerassem especialmente credenciados, recusaram-​​se a agir como Jesus prestando socorro aos despossuídos e necessitados. Os não-​​religiosos que estenderam ao próximo humanidade e misericórdia recebem de surpresa a vida eterna que nunca pleitearam. A cada um é concedido precisamente aquilo que não esperava: os religiosos vão para o castigo eterno, os justos sem religião adentram gostosamente o paraíso. “Sempre que prestaram assistência e demonstraram humanidade a um desses meus irmãos – com fome, com sede, estrangeiros ilegais, nus, doentes ou na prisão – era, sem saber, a mim que o estavam fazendo. Entrem, benditos do meu Pai.”

20 Final comédia romântica: Eva está debaixo da árvore da vida (que é precisamente como a árvore de Natal do Central Park), esperando o táxi que irá leva-​​la ao aeroporto. Adão chega de bicicleta com cestinha, despenteado e esbaforido, precisamente quando o táxi encosta e o motorista coloca a mala de Eva no porta-​​malas.
– As civilizações vieram e foram embora, mas eu nunca, nunca deixei de pensar em você – confessa Adão, ao mesmo tempo em que despe cada peça de roupa. – Talvez seja tarde demais, mas eu preciso te dizer. Você é parte de mim, Eva. Valeu tudo à pena, por causa da nossa história.
– Adão! Achei que eu não significava mais nada pra você.
– Eu fui um idiota, Eva, mas fui o primeiro. Você é o amor da minha vida. Todas as histórias do mundo sonham em ser a nossa, você não vê? Romeu e Julieta estão em algum lugar prendendo a respiração enquanto aguardam a nossa resolução. O primeiro amor é meu e seu, e vou reivindicá-​​lo até o final. Que se creiam todos felizes, mas você e eu sabemos: eles nunca foram nós. Nunca tiveram o que nós temos. Você pode até decidir ir embora, mas o paraíso não merece esse nome sem você. Eu te amo.
E Adão está agora inteira­mente nu.
Ela sorri e cobre-​​o com o casaco. Eva tira do bolso sua Bíblia, e mostra que no livro de Gênesis ela ainda guarda uma flor que Adão lhe deu no paraíso.
– Ainda consigo sentir o perfume.
Por um instante os dois hesitam ali em pé, a um palmo de distância um do outro.
Então beijam-​​se deliberadamente, e a música sobe. O motorista de táxi, que é um anjo, sorri; ele bate a tampa do porta-​​malas e empurra o carro, com mala e tudo, para dentro do lago de fogo. Adão e Eva ainda estão se beijando quando ele se afasta assobiando pela calçada.
E Deus, que está assistindo, enxuga sua própria lágrima.

A última.

by(brabo)


1.8.13

COMO LER A BÍBLIA SEM MUDAR DE PARECER


A Bíblia é muito mais con­ser­va­dora do que nós mes­mos, por isso na inter­pre­ta­ção da Bíblia deve nos guiar e deve­mos sem­pre per­se­guir den­tre as diver­sas inter­pre­ta­ções pos­sí­veis aque­las mais conservadoras.
Porém mesmo os intér­pre­tes mais aus­te­ros e menos libe­rais con­cor­dam que a Bíblia con­tém mate­rial his­to­ri­ca­mente con­di­ci­o­nado – isto é, mate­rial que se a Escri­tura tivesse sido escrita nos nos­sos dias viria dito de forma dife­rente e quem sabe oposta, e que só encontra-​​se regis­trado como está por causa da época remota e da cul­tura par­ti­cu­lar em que foi redi­gido. É neces­sá­rio que pen­se­mos assim, por­que entendendo-​​as como his­to­ri­ca­mente con­di­ci­o­na­das pode­mos inva­li­dar por com­pleto as pas­sa­gens bíbli­cas que con­tra­di­gam ou ame­a­cem a inte­gri­dade (isto é, o con­ser­va­do­rismo) da nossa pró­pria posição.
Como regra geral, pode­mos des­car­tar como his­to­ri­ca­mente con­di­ci­o­na­das quais­quer pas­sa­gens bíbli­cas que nos con­vi­dem ou desa­fiem a uma posi­ção pes­soal ou comu­ni­tá­ria mais gene­rosa, mise­ri­cor­di­osa ou tole­rante, e deve­mos con­si­de­rar como eter­na­mente váli­das aque­las que cor­ro­bo­rem a estrei­teza de nosso pró­prio código com­por­ta­men­tal e social. Por exem­plo, se São Paulo nos diz que as mulhe­res devem per­ma­ne­cer cala­das e sujeitar-​​se em todas as coi­sas ao homem, ou que todas as rela­ções homos­se­xu­ais são ilí­ci­tas, é nossa obri­ga­ção como cris­tãos con­si­de­rar esses jul­ga­men­tos como eter­na­mente váli­dos, ape­sar de sua seve­ri­dade ou, ainda, pre­ci­sa­mente devido a ela. Se o mesmo São Paulo nos diz que Jesus é o sal­va­dor de todos os homens, ou quando São João poe­tiza que Deus é amor ou quando o pró­prio Jesus ver­seja que demos tudo aos pobres e ame­mos os ini­mi­gos e que as pros­ti­tu­tas entram no reino do Céu antes dos reli­gi­o­sos, pode­mos com segu­rança supor que esta­vam falando em lin­gua­gem sim­bó­lica ou a par­tir da limi­tada visão cul­tu­ral do mundo em que viviam, sendo que esse con­texto his­tó­rico res­trin­gia e macu­lava a cla­reza dos seus julgamentos.
Tudo na Bíblia que nos incen­tive a con­de­nar os outros pode com segu­rança ser con­si­de­rado orto­do­xia; tudo que nos incen­tive a mudar a nossa pró­pria posi­ção em dire­ção ao amor (e por­tanto a uma pos­tura liber­tá­ria e à ine­vi­tá­vel per­di­ção) deve ser con­si­de­rado como tendo sido escrito por­que, a par­tir da sua pers­pec­tiva his­tó­rica limi­tada, os auto­res bíbli­cos não enxer­ga­vam as coi­sas com cla­reza sufi­ci­ente para ter arti­cu­lado a ver­dade de forma mais severa e por­tanto inequívoca.
Como se vê, trata-​​se essen­ci­al­mente de tomar aque­las por­ções da Escri­tura que esta­vam cla­ra­mente fada­das a mudar com o tempo (por exem­plo, a per­cep­ção daque­las inte­ra­ções soci­ais que as pes­soas de uma cul­tura con­si­de­ram acei­tá­veis) e tratá-​​las como se fosse imu­tá­veis e eter­nas; e tomar aque­las ideias da Escri­tura que esta­vam cla­ra­mente des­ti­na­das à eter­ni­dade (como a irman­dade uni­ver­sal entre os homens, a con­de­na­ção radi­cal da ganân­cia e a rejei­ção de toda domi­na­ção e vio­lên­cia) e tratá-​​las como se fos­sem sujei­tas ao tempo e não apli­cá­veis a todas as épocas.
Em caso de dúvida, sirva-​​nos de guia a deci­são da assem­bleia no Con­cí­lio Para-​​ecumênico de Vali­nhos: toda inter­pre­ta­ção que nos con­vide à tole­rân­cia é ten­ta­ção satâ­nica; toda inter­pre­ta­ção que nos incite à mes­qui­nhez é meritória.

2.5.13

Fazendo um som.....

http://www.youtube.com/watch?v=ua2tqQPYINI

Antes de domingo


Uma das mais enriquecedoras tardes havia sido a que conversaram sobre o tempo. Enquanto ele balançava lentamente na cadeira, enrolava na mão a bengala encenando o quanto suas palavras carregavam ritmo e tinham a capacidade de embalar os pensamentos de todos.
Falava com autoridade de quem já tinha vivido muito tempo e, mais que isso, tinha vivido muito em cada tempo. Seus olhos transmitiam a densidade de quem não aceitou vir à passeio, mas decidiu protagonizar cada momento.
Dizia que o tempo é implacável, não perdoa e cumpre tudo o que promete. É a realidade mais leal à vida, não se perde, não atrasa, não falha.
Roçando a barba farta e esbranquiçada, fechava os olhos como quem buscava a melhor maneira de explicar seu ponto de vista. Satisfeito com a ideia, se debruçou no apoio sempre presente, inclinou pra frente o corpo, esperando a atenção redobrada de todos, dizendo:
- O tempo é grande amigo, sim grande amigo.
Desfez de uma vez o olhar ansioso de quem imaginava que um velho só poderia dizer que o tempo é ardiloso.
- Todas as sementes que plantei, ele esperou brotar, como uma testemunha de minha existência. É um amigo atento e companheiro.
Riu de si mesmo. Lembrou de muita coisa. Viu a impaciência da infância, a urgência da juventude, o desnorteamento da primeira idade adulta, as pazes feitas com o amigo na velhice. Paciência é a celebração das pazes com o amigo tempo.
- Acontece que eu nem sempre plantei as melhores sementes, que precisaram ser arrancadas depois. Algumas vezes o trauma da terra foi tão grande que espaços do terreno precisaram ser desprezados no próximo plantio.
Lembrou-se também com ternura do quanto o tempo o ajudou a perdoar. Uma decisão é como uma semente que o tempo faz crescer.
Ninguém deve esperar o tempo passar para resolver alguma coisa que pensa não poder dar conta de resolver. Ele, por si só nada pode realizar, ele é apenas o amigo, grande companheiro, que testemunha e legitima cada uma de nossas escolhas.

4.8.10

Igreja evangélica tem serviço de oração em drive-thru

Alan Maurício recebe os fiéis na tenda das orações
Estressado com milhões de problemas e ainda tem que perder tempo no trânsito? A Igreja Universal do Reino de Deus tem um serviço de oração drive-thru na avenida Domingo de Moraes, na Vila Mariana, para quem tiver cinco minutos livres. Na calçada em frente à igreja, uma placa sinaliza “Drive-thru de orações”. O motorista entra em um recuo e estaciona sob um toldo com a frase “pare, ore, siga”. Um pastor vem até a janela do carro, faz uma oração rápida de um ou dois minutos citando passagens bíblicas abençoando os cidadãos contra acidentes e todo o tipo de mal.
Alan Maurício não é pastor, mas faz parte do grupo de 15 voluntários que também se revezam na tenda para fazer orações aos motoristas. Segundo ele, o serviço que existe desde maio de 2010 chega a receber até 50 pessoas por dia. "A pessoa pode pedir uma oração específica. Perguntamos se ela está passando por algum problema e, além de uma oração contra todos os males, fazemos um pensamento especial para resolver aquilo que a está atormentando", diz Maurício. De acordo com o voluntário, o "drive-thru de orações" também existe em templos na avenida João Dias e no bairro da Bela Vista e funcionam todos os dias "enquanto houver trânsito".